Bons romances de autores de BH

Livros de amigos de Belo Horizonte, em linhas diferentes, mas ambos com seus atrativos:

- O porco (Editora Ramalhete), de Maurício Lara, jornalista e escritor cada vez mais profissionalizado nesse segundo ofício. Neste romance, o autor não consegue a mesma emoção de "Rua dos Expedicionários, 14" nem o mesmo impacto de "O filho do corrupto", seus dois lançamentos anteriores. "O porco" tem mais parentesco com "O filho do corrupto", um ensaio de revelar um tipo de pessoa nefasta que existe aos montes em nossa sociedade, mas que muitas vezes passa batido, como se fossem invisível às pessoas "normais". Sem muita adjetivação, Maurício parece recorrer ao jornalista que sempre foi para narrar quase impessoalmente as barbaridades cometidas pelo protagonista, um psicopata que tem nos adoráveis suínos seu objeto de repulsa. A secura da narrativa acaba por livrá-la de tal forma de emoção que o romance não consegue um contato mais visceral com o leitor. Faltou algo, um envolvimento que criasse empatia, para bem ou para mal, com os fatos narrados. Que mesmo não deixam de ser chocantes.

- Em um canto da vida (Chiado Editora), de Cleu Nacif, bióloga e escritora também mineira. Num gênero diferente, a ficção futurista, a autora recria uma área de proteção ambiental nas imediações de uma grande cidade, como se fosse Nova Lima ou Sabará, pertinho de BH. Nesse lugar pertencente à protagonista, uma jovem estudante de biologia, ela e seus amigos se metem em aventuras no rastro de um animal supostamente extinto. Defesa da natureza e dos animais se mescla com romance amoroso juvenil, num interessante triângulo formado pela moça, seu melhor amigo e um veterinário tipo Indiana Jones. Com técnica narrativa fluente e envolvente, faltou ao livro acabamento melhor quanto á revisão. Uma questão da lógica ficcional também deixa a desejar: o pouco uso da tecnologia, num futuro próximo em que, certamente, mais e mais recursos estarão disponíveis. Mas se isso arranha a credibilidade, o romance não perde nada no que se refere às emoções.

Beijinhos!

Clara Arreguy, quarta-feira, março 22, 2017.

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