Kipling e Malba Tahan


Continuando a série de atualizações, recupero dois clássicos que li nas últimas semanas. Um, o britânico e indiano Rudyard Kipling, do qual curti "O homem que queria ser rei e outras histórias". O outro, o falso árabe Malba Tahan, na verdade o brasileiro Júlio César de Melo e Sousa (foto), de quem matei as saudades ao reler "O homem que calculava". Em comum aos dois, a ambientação em culturas do outro lado do mundo.

De Kipling conhecia apenas textos curtos e a história que dá nome a esse volume de contos e que foi adaptada para o cinema trazendo nos papéis principais os atores Sean Connery e Michael Caine. Muito interessantes as narrativas. Nascido na Índia, filho de pais britânicos, ele viveu no país "exótico", cuja cultura retrata por um viés um tanto etnocêntrico, algo inadmissível hoje, quando a riqueza da diversidade não permite ideias de superioridade de qualquer natureza. Estranho vê-lo menosprezar tipos e costumes, ou ainda falar de mulheres como seres menores. Do jeito que ele fala, elas seriam culpadas de todos os problemas das relações com os homens. Soaria cômico não fosse misógino.

Se se abstrair essas questões que de uma forma ou de outra tornam datados seus contos, há histórias muito interessantes entre as narrativas de Kipling. Uma viagem pelo vasto mundo da Índia do século XIX e que remete o leitor a outros tempos, a outros signos, a outras lógicas, muitas vezes de maneira mágica e humorada.

Com Malba Tahan também há magia e humor, mas em outra linha. O mesmo homem que calculava que encantou minha infância e juventude reaparece límpido em suas ideias e didáticas. Afinal, trata-se de um professor de matemática carioca que descobriu um jeito divertido, instigante e rico de ensinar entretendo. Com as peripécias de Beremiz, o calculista persa que seduziu indianos, cheiques, califas e vizires árabes, aprendemos sem dor lições de raciocínio, lógica, pensamento, história e tanta coisa mais. É incrivelmente dinâmico e atual. Deveria estar no currículo dos jovens estudantes. Boa literatura, boa matemática.

Beijocas mil!

Clara Arreguy, domingo, março 19, 2017.

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